Amor generoso em meio à guerra na República Democrática do Congo

Na cidade de Kikwit, os sobreviventes da violência conversaram com a Representante Regional da África Ocidental Francisca Ibanda, da esquerda para a direita, da República Democrática do Congo, a presidente da Comissão do Diácono, Siaka Traoré, da Costa do Marfim, e Daniel Geiser, da Suíça. Foto: J. Nelson Kraybill

Amar o povo generoso da República Democrática do Congo (RDC) não é difícil, mas o mal que acontece nesse país exuberante, na  região rural do Kasaï, é difícil de compreender.

Em dezembro de 2017, sobreviventes da guerra civil compartilharam com a delegação da Comissão de Diáconos do Congresso Mundial Menonita a respeito dos ataques surpresas que as suas aldeias sofreram por milícias maraudantes. Com armas e facas, esses grupos abateram homens, meninos e qualquer um que estivesse, de alguma maneira, associado ao governo.

Pessoas foram mortas em frente as suas próprias famílias, diante de mulheres e crianças que também poderiam ser atacadas e mortas. Aldeias foram destruídas; milhares fugiram a pé. Os sobreviventes, traumatizados, perderam tudo - propriedade, família, comunidade. Alguns carregam cicatrizes da tortura. A maioria nunca voltará ao lugar onde nasceu.

Eu participei dessa delegação realizando visitas pastorais e quando voltei para casa, me senti muito agradecido pela hospitalidade dos Menonitas na RDC que nos receberam com generosidade e amor, apesar de seu sofrimento.

Nesse país cheio de problemas econômicos e políticos, os Menonitas enchem suas casas com músicas de adoração e mensagem esperançosa de reconciliação. Vimos Menonitas nas cidades de Kikwit e Kinshasa cuidando de pessoas que foram despejadas de suas tribos de origem. RDC é uma  nação onde é comum cuidar apenas de sua família.

Ao visitar a Igreja Frères Mennonites Nouvelle Jerusalém em Kikwit, nossa delegação conheceu um grupo de sobreviventes traumatizados. As histórias angustiantes que me contaram me fizeram ansiar pelo cumprimento da visão de João: "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte" Apocalipse 21:4

Esse caos que toma conta de grande parte da RDC é causado pela luta para  controlar as minas de diamantes e ouro, por rivalidade de tribos, rebelião política, intervenção estrangeira e atividade criminosa. As pessoas que fogem desse contexto, freqüentemente enfrentam semanas ou meses de perigo viajando por centenas de quilômetros até Kikwit ou outras cidades. Muitas mulheres dão à luz durante essa perigosa jornada em busca de um lugar seguro.

Durante a nossa visita, muitas vezes pensei no Michael J. Sharp, um jovem menonita da minha comunidade nos Estados Unidos que foi assassinado na região de Kasaï no ano passado quando participava de uma missão de paz com as Nações Unidas. A morte de Michael tocou profundamente a mim e a muitos no CMM. O que será que nossas irmãs e irmãos na RDC não sofrem com tantas perdas pessoais?

O Comitê Central Menonita e outras organizações anabatistas atualmente respondem à crise na RDC, e o CMM ajudou a coordenar um diálogo entre essas organizações. Em um projeto chamado Operação Bom Samaritano, Menonitas de Kikwit que financeiramente não podem atender às necessidades urgentes, abriram suas casas para sobreviventes que muitas vezes eles nem conhecem.

Fomos apresentados a um médico menonita congolês visivelmente exausto que cuida de pessoas deslocadas em Kikwit e compartilhou o quanto é difícil ou impossível adquirir suprimentos médicos básicos. 

Existem mais de 400 tribos na RDC, e isso cria certa tensão até mesmo para alguns anabatistas. Mas o amor inclusivo que vimos no Kikwit é um modelo para a igreja global. Francisca Ibanda de Kinshasa, Representante Regional do CMM da África Ocidental, disse: "Tribos não são um problema porque, em Cristo, as tribos podem trabalhar juntas. Podemos amar até mesmo aqueles que sáo de tribos supostamente inimigas. 

—Uma publicação do Congresso Mundial Menonita pelo presidente J. Nelson Kraybill

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